O Lado B de O que podemos saber: O que não te contam sobre a ficção científica de McEwan
Vocês sabem que Ian McEwan é um autor que divide opiniões, não é? Esse romance, intitulado ‘O que podemos saber’, carrega traços de uma autobiografia tácita do escritor inglês. Escrito após a morte de seu amigo Christopher Hitchens, o livro parece ser uma tentativa de confrontar a incerteza — um tema central na obra. Mas o que não te contam é que a estrutura narrativa é *propositalmente enganos*…
Mais de 300 páginas construídas sobre mentiras narrativas. A metade inicial do livro, protagonizada por Thomas Metcalfe, é uma trama de investigação que *não existe*. McEwan, mestre em jogos de perspectiva, força o leitor a reescrever a história após o desfecho de Vivien. ‘Isso é literatura que se come com os olhos’, diz Celso Longo, designer da capa brasileira.
O ‘poema perdido’ é apenas um artifício. A coroa de sonetos central, que move a trama do futuro para o passado, nunca foi escrita. O autor a manteve como lacuna proposital, exigindo que o leitor preencha a falta. ‘McEwan está desafiando a confiança no texto’, afirma um crítico no The Guardian…
Edição brasileira custa R$ 89,90, mas vale? A tradução de Jorio Dauster (88 anos), já consagrada com ‘Reparação’, é considerada uma das melhoras do livro. A capa, única no mundo, e as notas de rodapé digitais são elementos físicos que um PDF não reproduziria. ‘O livro é um objeto que se lê com as mãos’, diz um leitor em X.
Prepare-se para uma leitura que dobra a si mesma. Se você gosta de romances que desafiam a lógica, ‘O que podemos saber’ é um teste de fidelidade à narrativa.
